Ecce Homo
A água sabe sempre o caminho.
A crónica dos tempos
Stefan Zweig escritor austríaco de origem judaica, após ter fugido da sua pátria amada quando se iniciou a Segunda Guerra Mundial, primeiro para a Inglaterra, depois para os EUA e finalmente no Brasil, onde se viria a suicidar com a sua mulher tomando ambos uma dose de veronal a 23 de fevereiro de 1942. Zweig não resistiu ao desgosto de ser um apátrida e escreveu isto:
"Não pretenso a sítio nenhum e em toda a parte sou um forasteiro, na melhor das hipóteses um convidado. A Europa, a pátria escolhida pelo meu coração, está perdida para mim, uma vez qque se dividiu de modo suicida uma segunda vez ( a outra vez foi a Primeira Guerra Mundial 1914-1918) numa guerra entre irmãos. Contra minha vontade, testemunhei a mais terrível derrota da razão e o mais selvagem triunfo da brutalidade na crónica dos tempos."
Como é actual este texto. Como estamos novamente no limiar de mais uma terrível derrota da razão. Como é possível que no século XXI ainda haja quem pense que pode ser dono da Europa. De facto é imensa a loucura do ser humano.
Só aquele que foi obrigado a viver numa época em que a guerra , a violência e a tirania das ideologias que ameaçavam o futuro de cada um e, nela, a sua essência mais preciosa, a liberdade individual, sabe quanta coragem, rectidão e energia são precisas para se manter fiel ao seu eu mais profundo.