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Só sei que nada sei e mesmo sobre isso tenho dúvidas.

Quarta-feira, 13.03.24

Hoje vamos falar do pirronismo céptico. O pirronismo céptico foi criado pelo filósofo grego Pirro em 275 a.C., foi depois desenvolvido por Sexto Empírico no século II d.C., e representa uma forma de terapia.

O segredo desta filosofia é a revelação de que não precisamos de levar nada a sério na vida. O pirronismo nem a si mesmo se leva a sério, esta filosofia está condensada na célebre frase se Sócrates: «Só sei que nada sei» ao que o pirronismo acrescenta:«e mesmo sobre isso tenho dúvidas». Os pirronistas lidam com todos os problemas que a vida lhes apresenta através de uma única palavra: epokhe, em grego e que significa« suspendo o meu juízo». Epokhe funciona como um desses Koans confusos do budismo zen: noções breves e enigmáticas, ou questões irrespondíveis como «qual é o som de uma mão a bater palmas?» A princípio, estas afirmações só provocam perplexidade. mais tarde abrem caminho a uma sabedoria universal. O truque de epokhe liberta-nos da necessidade de encontrar uma resposta definitiva para o que quer que seja. O pirronista sabe que não pode saber determinada resposta para uma questão, como por exemplo« o número de grãos de areia do Saara é par ou ímpar?» como não pode responder e sabe que isso não lhe interessa, também não fica incomodado. Mas há outras questões: é justo mentir a uma pessoa para que esta se sinta melhor? resposta: epokhe. O amor torna-nos felizes? Epokhe. O teu gato é mais bonito que o meu? Epokhe. Os pirronistas gostam de defender pontos de vista impopulares simplesmente por diversão. Como escreveu Montaigne:

Se postularmos que a neve é preta, eles arguirão que é branca. Se dissermos que não é uma coisa nem outra eles dirão que é ambas. Se dissermos que nada sabemos acerca de determinado assunto, eles arguirão que sabemos. Se lhes assegurarmos através de um axioma taxativo que temos dúvidas sobre isso, eles argumentarão que não temos ou que não conseguimos provar que temos.

Depois disto se lhe dermos um soco, provavelmente não ficariam incomodados, uma vez que não os incomoda a ideia de alguém se zangar com eles e também não se incomodariam com a dor física. Quem poderá garantir que a dor é pior que o prazer? E se algo os matar? É melhor viver do que morrer?

»Ave, tranquilidade céptica».

Créditos - Sarah Bakewell - A Vida de Montaigne

 

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publicado por Folhasdeluar às 07:15





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