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Deus é absoluto?

Quarta-feira, 17.07.24

"Absoluto" significa "desligado". Afirmar que Deus é absoluto significa situá-lo fora de qualquer conexão com os homens. O homem não pode actuar sobre ele, nem ele sobre o homem. Tal Deus seria desprovido de importância. Só se pode falar de um Deus que se relacione com os homens, como estes com aquele. A concepção cristã de Deus, como" o Pai que está no céu" exprime de forma estranha a relatividade de Deus. Deixando de lado o facto de que o homem, diante de Deus, é inoperante, podemos por isso, explicar esse impulso de declarar Deus absoluto como o temor que pudesse tornar-se "psicológico". Isto seria, sem dúvida, perigoso. Um Deus absoluto nada tem a ver connosco, enquanto um Deus psicológico seria real, poderia alcançar o homem. A Igreja parece ser um instrumento mágico para proteger o homem de uma tal eventualidade, pois, como está escrito, "é terrível cair nas mãos do Deus vivo".

Créditos - Carl Jung - O Eu e o Inconsciente

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publicado por Folhasdeluar às 07:55

Tributo a Antonin Artaud

Quarta-feira, 10.07.24

Antonin_Artaud_1926.jpg

Artaud, magro, tenso, rosto enxuto com olhos visionários. Um jeito sardónico. Ora deprimido ora vibrante e malicioso. Para ele, o teatro é um lugar para se gritar a dor, a raiva, o ódio, para representar a violência que há em nós. Ele é o ser drogado, contraído que anda sempre só, em busca de produzir peças que são como cenas de tortura. Os seus olhos são azuis e langorosos, negros de dor. É todo nervos. No entanto, era belo ao representar o monge apaixonado por Joana D`Arc, no filme de Carl Dreyer. Os olhos fundos do místico, como se brilhassem dentro de cavernas. Profundo, sombrio, misterioso...

Um dia num café perguntou a Annais Nin:

- As pessoas acham que sou louco. Acha que eu o seja? É disso que tem medo?

E ela continua: "soube naquele momento, pelos olhos dele, que o era, e eu adorava a sua loucura. Fitei-lhe a boca, com os cantos escurecidos pelo láudano, boca que eu não desejava beijar. Ser beijada por Artaud era ser atraída para a morte, para a insanidade...

Na foto abaixo Artaud quando já vivia num asilo de loucos( fotos tiradas da net)

3611467814054_XXL.jpg

E ainda um poema chamado ( Post scriptum) de Artaud que também fundou o Teatro da Crueldade, mas disso falarei noutro  post:

Quem sou eu?

De onde venho?

Sou Antonin Artaud

e basta eu dizê-lo

como só eu sei sei dizer e imediatamente

verão o meu corpo actual

voar em pedaços

e se juntar

sob dez mil aspectos

notórios

um novo corpo

no qual nunca mais

poderão

me esquecer.

Nota: este corpo novo e inesquecível era a própria obra de Artaud, já que a sua intenção declarada era refazer-se, construir um novo corpo ao escrever a sua obra, e ao vivê-la de forma intensa e radical.

Créditos: adaptação de vários textos da net

 

 

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publicado por Folhasdeluar às 07:38

As angústias ilusórias

Domingo, 30.06.24

Mais numerosos são, os nossos temores que as nossas aflições; e frequentemente nos angustia a nossa imaginação do que a realidade. Certas coisas angustiam-nos mais do que há razão para tal; outras angustiam-nos antes que haja razão; outras angustiam-nos sem a mínima razão. Isto é, ou exageramos o nosso sofrimento, ou o sentimos por antecipação, ou apenas o imaginamos!

Os nossos tormentos existem ou no presente, ou no futuro, ou em ambos. Geralmente o pânico que nos toma apenas provém de suspeitas, de ilusões. E muitas vezes não observamos nem analisamos criticamente as causas dos nossos temores; as angústias ilusórias são mesmo mais perturbadoras, nem sabemos bem porquê! As autênticas ainda mantêm certos limites; as incertas, porém dão toda a margem às conjecturas e fazem perder o norte aos ânimos medrosos. Não há tipo de terror tão funesto, tão incontrolável como o pânico; se o medo faz perder a razão, o pânico gera a própria loucura. É natural que no futuro nos suceda um mal qualquer: o facto é que de momento ainda não existe. E quanta coisa nos sucede sem nós esperarmos! Quanta coisa nós esperamos que nunca sucede! Mesmo que seja certo um mal futuro, para quê começar a sofrer antecipadamente?

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publicado por Folhasdeluar às 07:08

Os círculos da vida

Sábado, 29.06.24

Ter a morte diante dos olhos é coisa que tanto deve fazer um velho como um jovem (já que ela não nos chama por ordem de idades);além disso, não há ninguém tão velho que não tenha direito a esperar um dia mais. Aliás, um dia é um degrau na vida. Toda a nossa existência consta de partes, de círculos concêntricos em que os maiores abarcam os menores: há um círculo que os abarca e rodeia a todos ( este é o que contém  todo o tempo do nascimento à morte); há outro que delimita os anos da adolescência; outro que dentro da sua órbita rodeia os anos da infância; além disso, cada ano de per si contém as subdivisões do tempo, de cuja combinação resulta a nossa vida; um mês está contido num círculo menor; um dia tem um perímetro ainda mais curto, mas mesmo ele tem um princípio e um fim, uma origem e um termo. Apesar de tudo, valha-nos a sorte de que ninguém é obrigado a permanecer vivo.

Créditos- Séneca

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publicado por Folhasdeluar às 07:34

A testemunha

Sábado, 22.06.24

Se perante os nossos olhos tivéssemos alguém presente, hipoteticamente falando, se tivéssemos sempre presente  uma testemunha dos nossos actos, ou dos nossos pensamentos, certamente seríamos melhores pessoas, sim, o que nos falta para sermos melhores é essa testemunha invisível, que nos faça manter a razão e o pensamento em ordem.

Créditos - inspirado em Séneca

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publicado por Folhasdeluar às 07:19

Quando o universo se dissolver

Sábado, 15.06.24

Quando o universo se dissolver e todos os Deuses se confundirem na unidade, quando gradualmente a natureza por perdendo o movimento, então o homem pode repousar.

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publicado por Folhasdeluar às 07:17

"O sábio basta-se a si mesmo"

Domingo, 09.06.24

"O sábio basta-se a si mesmo" dizia Séneca. Contudo é preciso interpretar correctamente a frase. Esta não significa que o sábio se isola do mundo que o rodeia ou aos limites do seu corpo. Na verdade o alcance deste pensamento é o seguinte: o sábio basta-se a si mesmo para viver uma vida feliz, não simplesmente para viver, na medida em que para viver carece de muita coisa, mas para ter uma vida feliz, basta-lhe ter um espírito são, elevado e indiferente à sorte. Crisipo também apresente a sua análise a esta frase. Dizia ele que o sábio não carece de nada embora precise de muitas coisas: " o insensato, pelo contrário, não precisa de nada (precisamente porque não sabe o uso correcto de nada), no entanto carece de tudo". Carecer implica ter necessidade, ser sábio implica não ter necessidade de nada. Precisamente por isso, embora se baste a si próprio, o sábio precisa de ter amigos, mas não para ter uma vida feliz, pois é capaz de ter uma vida feliz mesmo sem amigos.

Créditos - adaptado de Séneca

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publicado por Folhasdeluar às 07:43

Não é feliz o homem que não se julga feliz

Sábado, 08.06.24

A amizade é um bem que todos podemos possuir, assim: "se queres ser amado, ama", dizia Hecatão, se queres ter amizade deves dá-la, digo eu. Átalo dizia: " é mais agradável fazer um amigo do que tê-lo". Contudo na vida é difícil ter muitos amigos, mas pelo menos um, que o seja de verdade, todos devemos possuí-lo, para que, como dizia Séneca, quanto mais não seja para exercer a amizade, e para que tão grande virtude não fique inactiva. No entanto, ter um amigo não é para ter alguém que o ajude, mas, pelo contrário, para ter alguém a quem ajudar. Pois quem só cuida de si e pensa na amizade com fins egoístas, acaba só. Alguém que seja tomado por amigo por motivo da sua utilidade, deixará de agradar quando deixar de ser útil. A este tipo de amizade só se pode chamar negociata. E para acabar cito um pensamento de sabedoria popular, (que se pensa que Séneca traduziu do grego): "não é feliz o homem que não se julga feliz".

Créditos - Séneca

 

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publicado por Folhasdeluar às 07:35

Estando eu a pensar

Segunda-feira, 03.06.24

Estando eu a pensar no que faria se me saísse o euromilhões,(e sabendo que isso não me iria trazer mais felicidade), acabei a ler Séneca, e encontrei aquela resposta inesperada que se adapta perfeitamente à minha questão.

Na verdade a filosofia é onde a vida coloca as suas respostas, então em Séneca (que citando) Epicuro encontrei isto:

"Deves ser servo da filosofia se pretendes obter a verdadeira liberdade." Não será posto de lado a quem ela se entregar confiadamente: logo ela lhe prestará os seus benefícios. É nesta entrega total à filosofia que consiste a liberdade.

E voltando ao euromilhões Séneca diz citando Publílio: "Nada nos pertence daquilo que o acaso nos traz". Ou outro pensamento no mesmo sentido de Lucílio: "Não é verdadeiramente teu o que é teu por dom da sorte".

Perante tão sábios pensamentos que faria eu se me saísse uma batelada de massa no euromilhões? Pois bem, empregá-los-ia numa fundação ao serviço dos pobres e da arte, que isso sim, me faria ficar bem mais contente do que ter esses milhões guardados no banco.

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publicado por Folhasdeluar às 07:32

Coisas estúpidas

Sábado, 01.06.24

Pensar que se é mais  feliz por comprar aquele grande carro.

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publicado por Folhasdeluar às 07:57





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